Educação Internacional

Educação Internacional

março 20, 2018 0 Por Efígie Projetos Educacionais, Viagens e Turismo Ltda

UMA ANÁLISE DA EDUCAÇÃO INTERNACIONAL NO CONTEXTO DO BRASILEIRO

Lara Andréa Crivelaro[1]

 

“A nossa verdadeira nacionalidade é a humanidade”. (H. G. Wells).

 

A grande procura pela internacionalização.

 

O termo internacionalização da educação está cada vez mais presente no meio acadêmico. Nas ultimas décadas, com o advento da globalização, tem-se percebido a ampliação de ações e iniciativas de internacionalização no âmbito das instituições de ensino superior no Brasil.

Internacionalização da educação é uma expressão relativamente nova e significa um processo de desenvolvimento e de implementação de politicas e programas para integrar as dimensões internacional e intercultural nas missões, nos propósitos e nas funções de instituições universitárias. Por meio da internacionalização tende-se a formalizar os benefícios da cooperação internacional para a comunidade universitária em geral (GARCÍA, 2009).

O referido tema vem ocupando gradativamente espaço no meio acadêmico nos últimos anos. Mesmo que a expressão “internacionalização” seja considerada como nova, estudos realizados por Morosini (2006) revelam que não se trata de um fenômeno recente, mas de uma marca das relações entre as universidades que, devido sua natureza de produtora de conhecimento, sempre utilizam como norma a internacionalização da função da pesquisa apoiada na autonomia do pesquisador.

As mudanças ocorridas na ordem econômica mundial a partir dos anos 90 do século XX atingem inevitavelmente o meio acadêmico. São exigidas adaptações com o intuito desta se adequar as novas circunstancias, de modo que toda a sociedade acaba sofrendo os impactos da globalização, inclusive a educação. Nesse sentido, Gacel-Ávila (2003) reforça a concepção de que a internacionalização é a forma como os países respondem aos impactos do fenômeno da globalização enquanto resposta proativa das universidades, no intuito destas se adaptarem a um mundo globalizado.

 

 

O PROCESSO DE INTERNACIONALIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO EM UMA PERSPECTIVA HISTÓRICA

 

O processo de internacionalização surge juntamente com a origem das próprias universidades, no período medieval, por volta do século XII, com a presença de docentes vindos de vários lugares do mundo para estudar nessas universidades. Desse modo, verifica-se que a produção do conhecimento cientifico apresenta um forte caráter internacional, apesar das pressões dos Estados pelo desenvolvimento nacionalista (KRAWCZYK, 2008).

No século XX ocorre a primeira reforma, em 1918, que trouxe para a universidade o principio da autonomia. É somente na metade do século XX que a universidade passa por um processo de massificação devido ao aumento do ingresso das camadas medias no ensino superior. O foco nas universidades ocorre devido a sua importância no fortalecimento das economias nacionais e nos seus processos de desenvolvimento tecnológico e cientifico. Entidades internacionais passam a se interessar pelo financiamento de pesquisas (KRAWCZYK, 2008).

A partir de 1930, as atividades de pesquisa cientifica começam a ser institucionalizadas enquanto parte inerente de atribuições universitárias. Entre as décadas de 1950 a 1980, o sistema universitário latino-americano passa por um intenso processo de institucionalização e de expansão, no qual surgem agencias de fomento à pesquisa, como a CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) e o CNPQ (Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico) no Brasil. Nas décadas de 1980 e 1990, surgem novos mecanismos de controle e de qualidade contendo orientações voltadas para o mercado econômico (KRAWCZYK, 2008).

No Brasil, desde o século XX, as universidades se preocupam com o desenvolvimento de programas internacionais com o intuito de estabelecer projetos de pesquisa em conjunto, objetivando fortalecerem-se. Este modelo de cooperação, que visa absorver conhecimentos dos países do hemisfério norte, dominou as universidades brasileiras entre os anos de 1930 a 1960. Somente a partir deste ano é que são formalizados os primeiros acordos bilaterais entre IES brasileiras e estrangeiras, com vistas à promoção da cooperação tecnológica e cientifica. A partir de 1970 são estabelecidos programas nacionais destinados a apoiar as atividades de pesquisa para estudantes de pós-graduação realizadas em outro pais, principalmente projetos de pesquisa em conjunto (LAUS e MOROSINI, 2005).

Krawczyk (2008) observa que as politicas de internacionalização das universidades se encontram principalmente no campo da cooperação internacional de diferentes instituições governamentais, de desenvolvimento de recursos humanos do ensino superior e de desenvolvimento cientifico e tecnológico, que implantam inúmeros programas de cooperação na área da internacionalização, inclusive aqueles que financiam parcerias universitárias e projetos em conjunto de pesquisa entre o Brasil e o pais cooperante ou países cooperantes. Entretanto, consideramos as politicas de cooperação internacional na América Latina ainda muito insipiente no sentido de promover uma politica efetiva de integração regional; e concluímos que a politica de cooperação, de inserção, de integração regional e de condições de competitividade do Brasil converge para alcançar objetivos econômicos e políticos que proporcionem a inserção do pais na nova ordem mundial.

Segundo Haddad (1995, p.18), a noção de politicas educacionais pode ser definida como “uma decisão única ou um conjunto de decisões explicitas ou implícitas que podem incluir orientações para guiar as decisões futuras, projetar ou atrasar ações ou orientar a execução de decisões anteriores”. As politicas educacionais abrangem quatro componentes principais, quais sejam, leis e regulamentações; recursos e orçamento; administração e gestão; coordenação e articulação. Para Van Hoechst (2008), o processo de internacionalização produz tensões nas políticas nacionais de Educação, tornando difícil a articulação entre as exigências (regionais ou locais) e os imperativos internacionais (globais). Além disso, a divisão de responsabilidades entre os níveis nacional, regional e local se encontram em plena reestruturação.

 

DILEMAS DAS UNIVERSIDADES DO SÉCULO  XXI E A ECONOMIA GLOBAL

 

Krawczyk (2008) esclarece que as reformas universitárias apresentam como características: uma nova regulação institucional; a inversão na lógica do serviço educativo, que passa a ser orientado pela demanda social e pelo mercado; a substituição, nas políticas universitárias, de um modelo de desenvolvimento econômico nacional pelos interesses específicos do mercado. Este autor ressalta a crescente importância da universidade no fortalecimento das economias nacionais e nos seus processos de desenvolvimento tecnológico e científico.

Para Santos e Almeida Filho (2008), resistir ou ajustar-se à vertente corporativa do internacionalismo acadêmico poderá se tornar o principal dilema enfrentado pelas universidades brasileiras no século XXI. Eles consideram que, caso o Brasil não estruture um novo sistema de educação universitária articulado com o mundo, ficará isolado em relação à formação profissional, científica e cultural, de modo que poderá se tornar o único país com algum grau de desenvolvimento industrial que ainda mantém um sistema educacional universitário compatível com o século XIX.

A internacionalização do ensino superior no Brasil, do ponto de vista desses autores, continua como uma forte tendência, mas ainda de forma latente devido, por um lado, ao impedimento legal de estrangeiros ocuparem o controle de organizações educacionais; por outro, ao fato de os sistemas de credenciamento e avaliação dos órgãos governamentais e de fomento à pesquisa exercerem um importante papel de controle nesta questão. Por conta disso, há fortes pressões para que o ensino superior seja incluído nos acordos comerciais multilaterais no campo da Organização Mundial do Comércio (OMC), sendo esse processo descrito como transnacionalização do mercado da educação superior (SANTOS E ALMEIDA FILHO, 2008).

Teles (2005) alerta que, sem uma definição do país sobre esta questão, corre-se o risco de acontecer uma internacionalização com os mesmos componentes maléficos presentes na globalização econômica. Schriewer (2004), por sua vez, considera que a disseminação do modelo mundialmente aceito de Educação escolar (High School) gera duas tendências distintas: uma ideologia mundial acerca do desenvolvimento e da educação; e o desenvolvimento de uma rede internacional de comunicação e publicações.

Akkari (2011) acrescenta que os modelos educacionais internacionais estão presentes tanto em currículos cada vez mais padronizados, como na mobilidade acadêmica cada vez maior e na expansão do ensino de línguas estrangeiras e das tecnologias da informação e comunicação. Para o autor, existe uma forte tendência voltada para a uniformização dos modelos educacionais. Ele justifica tal fato apontando a semelhança entre as políticas adotadas por diferentes países, e a constatação dos crescentes estudos comparativos, como, por exemplo, o PISA (Programa Internacional para Avaliação dos Estudantes), pertencente à OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

Esse programa registra desempenhos e habilidades de alunos em parâmetro internacional, incentivando, assim, a competitividade educacional e econômica internacional. Ao se conceber a educação como um serviço, as suas orientações passam a ser de ordem econômica, se distanciando da concepção histórica humanista da escola enquanto um direito ou bem público. Dessa forma, as instituições vêm sendo pressionadas a atuar na preparação do chamado trabalhador competitivo, de modo a torná-lo um agente da produção tecnológica, da ciência aplicada, produzindo conhecimentos que se transformem em inovação, ou seja, em fator de incremento do mercado (BERALDO; SILVA; VELOSO, 2007). É nessa perspectiva que Ferreira (2010) concebe a inovação como elemento central e recorrente no discurso para a produção do saber desenvolvido nas universidades.

 

PADRÕES INTERNACIONAIS DE AVALIAÇÃO PARA O ENSINO SUPERIOR BRASILEIRO E A GLOBALIZAÇÃO

 

Akkari (2011) observa uma crescente exigência de padrões educacionais e avaliações nacionais e internacionais para a promoção da internacionalização das políticas educacionais. A partir do final dos anos 80, percebe-se maior preocupação relacionada à melhoria das performances dos sistemas educacionais. Para o referido autor, os países desenvolvidos estão engajados em um movimento de profunda reestruturação de seus sistemas educacionais, na busca pelo aumento da eficiência e da qualidade. Para ele, a elevação dos padrões se tornou uma palavra de ordem lançada por governos conservadores, resultando na elevação das exigências avaliativas das escolas e do desempenho das gestões.

Normand (2004) afirma que os modelos de eficiência pressupõem que a qualidade seja medida por meio de técnicas modernas, que utilizam diversas variáveis juntamente com dados coletados sob a forma de inputs e outputs. Ferreira (2010) verifica que existe um processo significativo de expansão e de diversificação nos sistemas de ensino superior de diversos países e a implantação de mecanismos de avaliação, qualidade e prestação de contas; ou seja, uma nova forma de governo e de gestão nas Instituições de Ensino Superior, bem como a redefinição dos modelos de regulação dos Estados.

As características da educação estão intimamente imbricadas com o processo de globalização e com as determinações oriundas de organismos internacionais multilaterais. O Estado avaliativo adquire a conotação de avaliação em todos os aspectos da realidade educacional e em todos os níveis do sistema. Entretanto, é no sistema de ensino superior que se verifica o maior impacto. Isto porque, a globalização considera como um dos principais valores o conhecimento e neste, o advindo de patamares superiores, onde a busca de educação e certificação continuada se faz presente. A universidade adquire um valor máximo e a concepção de liberdade acadêmica, símbolo da intocabilidade do ensino superior passa a sofrer impacto (MOROSINI, 2011, p.4).

No mundo globalizado, de acordo com Bezerra, (2012), as organizações buscam constantemente avaliar o seu nível a fim de obterem comparações de seus indicadores com os de outras organizações. Nas instituições de ensino superior não ocorre diferente. As universidades fazem constantemente a avaliação de seus indicadores, tais como o desempenho de estudantes, as produções científicas, educativas e culturais, de modo a obter um referencial, ou seja, um nível de Taubman (2009), a Educação contemporânea costuma aplicar performance reconhecido como padrão de excelência em relação a outras universidades. Considera-se que um dos desafios dos gestores públicos atualmente é encontrar um padrão de excelência para os principais indicadores da gestão. A crescente importância do conhecimento e a valorização do capital intelectual dos indivíduos, a revolução da informação e dos meios de comunicação, a responsabilidade na criação e na manutenção do entendimento entre os povos e do espírito de solidariedade com os países menos desenvolvidos passam a ser consideradas como questões permanentemente discutidas nos fóruns internacionais. Essas questões foram claramente apresentadas na Conferência Mundial sobre Educação Superior, realizada em Paris (UNESCO, 1998).

 

UM BREVE BALANÇO DO PROCESSO DE INTERNACIONALIZAÇÃO DA ENSINO SUPERIOR BRASILEIRO

 

O caráter internacional sempre esteve presente na educação da população brasileira desde a colonização (1500-1822) quando nossa classe dominante formava-se na Europa e as concepções educacionais impostas vinham de ordens jesuíticas além- mar. (SAVIANI, 2007)

O Brasil foi um dos últimos países da America Latina a estabelecer uma universidade. A criação da Universidade de São Paulo, em 1934, foi consequência da instauração do Ministério da Educação e Saúde, então ocupado por Francisco Campos. A universidade nascia pública e tinha como finalidade, segundo o Decreto n.o 19.851/31, “elevar o nível da cultura geral; estimular as investigações científicas e trabalhar pela educação do indivíduo e da coletividade, levando ao aperfeiçoamento da humanidade e à grandeza da nação.” (FRANCISCO FILHO, 2002, p. 87). Sua concepção desde o princípio ocasionou a vinda de muitos catedráticos e pesquisadores estrangeiros.

A Lei no 5.540/68, durante o período de Ditadura Militar, trouxe reformas tecnicistas, a privatização do ensino em todos os níveis e as tendências americanas de sistema de créditos e departamentação das universidades (desarticulando, assim, quaisquer movimentos críticos entre intelectuais e estudantes). A intensa veiculação da área de Ciência e Tecnologia ao governo federal, nesse período, resultou em um amplo fluxo de pesquisadores em ambas as direções, especialmente nas áreas de agricultura, física e matemática. Fica estabelecido o tripé universitário ensino, pesquisa e extensão. (SAVIANI, 2007).

As políticas educacionais neoliberais para a educação superior, após a década de 80, promoveram ainda mais o fortalecimento do processo de mercantilização dessa esfera social e a transformação das identidades das instituições educativas públicas e privada. As IES sempre foram afetadas por convergências globalizadas e, em certa medida, atuaram dentro das fronteiras internacionais acadêmicas através de ações pontuais de docentes e pesquisadores ou até por articulações institucionalizados de cooperação e mobilidade científica. No entanto, somente a partir dos anos 90, políticas sistematizadas de fortalecimento desses projetos educacionais começaram a ser adotadas.

Sob o governo do Presidente Itamar Franco, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), estabeleceu novas exigências aos programas de pós-graduação stricto sensu do país. Para atingir os conceitos de excelência “6” e “7”, os indicadores cobravam uma série de atividades acadêmicas ligadas às instituições de ensino e pesquisas no exterior, tais como: intercâmbio de conhecimento em eventos e publicações, criação de redes interativas, mobilidade dos professores e estudantes e projetos internacionais de pesquisa.

A despeito de toda a crítica que se deu em torno destes critérios de exigência do Estado-avaliador, consolidou-se, mesmo após o fim do mandato de Fernando Henrique Cardoso, a noção de internacionalização entre os programas de pós-graduação que pretendiam atingir tais conceitos de qualidade acadêmica. Para corroborar essa mudança, dados do CNPq (2004) indicam que o número de publicações de pesquisadores brasileiros em periódicos internacionais indexados entre 1995 e 2000 quase duplicaram de 5.508 para 9.511.

Hoje, o Brasil possui o maior sistema de educação superior da America Latina, com 2.391 IES (83% delas privadas) e 7.3 milhões de alunos de graduação matriculados. Muito embora apenas 30% da população jovem entre 18-24 anos esteja na educação superior, o que ainda corresponde a menos que alguns outros países latinos. (INEP, 2013)

O documento mais atual para impulsionar o processo de internacionalização para os próximos dez anos é o Plano Nacional de Educação (PNE- Lei 13.005/2014). Vinte metas foram propostas, sendo três destinadas ao nível superior. A internacionalização aparece em três momentos dentro dessas metas:

 

Meta 12.12) Consolidar e ampliar programas e ações de incentivo á mobilidade estudantil e docentes em cursos de graduação e pós- graduação, em âmbito nacional e internacional, tendo em vista o enriquecimento da formação de nível superior. (…)


Meta 13.7) Fomentar a formação de consórcios entre IES públicas, com vistas a potencializar a atuação regional, inclusive por meio de plano de desenvolvimento institucional integrado, assegurando maior visibilidade nacional e internacional às atividades de ensino, pesquisa e extensão. ( … )

 

Meta 14.9) Consolidar programas, projetos e ações que objetivem a internacionalização da pesquisa e da pós-graduação brasileiras, incentivando a atuação em rede e o fortalecimento de grupos de pesquisa (PNE, 2014)

 

CONCLUSÃO: COMO FICAM AS AÇÕES DE INTERNACIONALIZAÇÃO ATUAIS DAS IES ?

 

Observa-se que o processo de internacionalização não é recente, no entanto ainda é considerado reduzido o número de pesquisas sobre o tema, principalmente no tocante à internacionalização das universidades brasileiras.

No Brasil, as IES apresentam ações de internacionalização nas mais diversas atividades desenvolvidas, seja na área de ensino, de pesquisa ou de extensão. Entre elas, destaca-se, segundo Bezerra (2012)  a mobilidade estudantil, que ocorre quando o aluno ingressa em instituições no exterior, por meio de intercâmbio, para desenvolver nelas atividades acadêmicas por determinado período em outra instituição. Essa é uma atividade que envolve grande número de participantes a cada semestre, tanto de estudantes que vão cursar componentes curriculares nos mais diversos países, quanto de estudantes estrangeiros que vêm cursar disciplinas em instituições brasileiras.

A internacionalização das instituições de ensino superior, por meio das diferentes formas de cooperação, tem sido considerada como via de acesso à melhoria da qualidade do ensino, da pesquisa e da extensão que, unidas, criam condições para o desenvolvimento de países e o incremento da qualidade de vida das populações. Algumas IES têm demonstrado um maior interesse pela gestão estratégica da internacionalização, organizando estruturas de aperfeiçoamento de ações nessa área, no sentido de aplicar metas e desenvolvê-las com o objetivo de obter resultados futuros.

Atualmente as IES apresentam várias ações de internacionalização divulgadas em seus websites institucionais, entretanto não há conhecimento que essas ações fazem parte de uma estrutura capaz de atender satisfatoriamente toda a demanda necessária, ou mesmo se essas organizações consideram essa perspectiva ou não. Falta um maior conhecimento acerca da existência de estratégias e investimentos no campo da internacionalização nessas instituições (BEZERRA, 2012).

O processo de internacionalização pressupõe cooperação em todas as suas formas: cooperação científica, tecnológica e acadêmica; e em seus diferentes níveis: graduação e pós-graduação. Para tanto, cresce a importância dos profissionais com visão estratégica, capazes de analisar a realidade, mobilizar recursos e buscar soluções e caminhos, utilizando métodos adequados para cada situação e realizando monitoramento e avaliação do processo de forma eficiente e flexível.

O mercado de trabalho, por sua vez, passa a exigir pessoas extremamente capacitadas, com conhecimento de outros idiomas e com maior sensibilidade e tolerância as diferentes culturas existentes no mundo. Assim, o nível de conhecimento e experiências, bem como o desenvolvimento de habilidades e competências, passa a ser condição básica para que um profissional possa se inserir, nos dias atuais, competitivamente no mercado de trabalho global. Nesse contexto, de crescente processo de integração cultural, a internacionalização da educação se apresenta como fenômeno bastante presente no mundo contemporâneo. Estudar no exterior representa importante fator de aperfeiçoamento na formação acadêmica e as instituições de Ensino Superior esforçam-se para se adaptar gradativamente a esta dinâmica.

 

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

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[1] Graduada em Ciências Sociais pela UNICAMP (1991), mestre em Sociologia pela UNICAMP (1995) e doutora em Sociologia pela UNESP (2000). Atualmente diretora da Efígie Educacional, empresa brasileira de Educação Internacional, responsável por viabilizar a Cooperação Internacional entre universidades internacionais, promovendo Intercâmbio Cultural, Científico e Tecnológico. É consultora de Instituições de ensino nacionais e estrangeiras na área de internacionalização de currículos. Consultora de grandes grupos educacionais brasileiros na área de formação continuada e capacitação docente de professores. Foi Pró-Reitora de Relacionamento, Planejamento e Comunicação da Universidade do Grande Rio – UNIGRANRIO e foi Coordenadora Geral dos cursos de pós-graduação da Metrocamp, do grupo IBMEC. Dirigiu a  Fundação Municipal de Educação Comunitária da Prefeitura de Campinas, responsável pela educação de jovens e adultos, além dos cursos profissionalizantes da cidade de Campinas. Foi diretora geral da Faculdade Policamp. Autora de três livros e vários artigos. Como docente tem 20 anos de experiência em grandes Universidades. Experiência em gestão acadêmica e educacional em Universidades e Colégios particulares.